Publicações acadêmicas do Brasil e do mundo em 2010

Hora de dar uma atualizada na análise que faço aqui de um dos meus temas favoritos, desempenho do Brasil e de outros países do mundo em publicações acadêmicas. Você pode ler mais sobre o assunto em meus artigos anteriores, marcados com a etiqueta “Desempenho brasileiro em publicações científicas”.

Eu gosto de pegar meus dados no site SCIMagoJR, e saíram os dados de 2010 faz algum tempinho. Só hoje baixei tudo e fiz meu gráfico contendo mais um ponto em cada curva. Aí está…

Lembro que cada ponto é calculado por um filtro que pega três anos. O último ponto portanto representa dados centrados em 2009, com mais um pouco dos valores de 2008 e 2010. Portanto vemos pouco os dados de 2010, o que mais interessa é que os dados de 2009 entraram “pra valer”. Além disso houveram citações a artigos de todos anos anteriores, deixando os dados mais recentes mais confiáveis.

Uma coisa que estava esperando pra ver era se a curva do Brasil ia continuar nesta inclinação negativa, e infelizmente parece que é o caso. Continuamos a perder em RCI, índice que busca estimar o impacto ou qualidade da produção de cada país, enquanto ao menos estamos crescendo em volume ao mesmo tempo. Outros países vizinhos a nós no gráfico como Taiwan e Coréia parecem ter conseguido entrar numa fase de inclinação positiva, saindo da estabilidade de poucos anos atrás, enquanto o Brasil permanece caindo pelo quarto ano seguido (ou mais se olharmos para os dados não-filtrados). Índia e Turquia tem RCIs um pouco menores que o Brasil, e parecem estar entrando em declínio, porém ainda estão crescendo em volume.

Outros vizinhos de estatísticas do Brasil são Polônia, que parece estar se colocando numa situação de estagnação similares à da Rússia e Ucrânia e Irã, que continua com forte crescimento e mantendo o RCI constante.

Chile e Argentina tem historicamente apresentado volumes bem menores que o Brasil, mas RCI maiores. Chile parece estar conseguindo reverter uma queda similar à nossa, e a Argentina parece ter dado um salto nestes últimos anos depois de uma leve estagnação.

Outros vizinhos de estatísticas do Brasil são Polônia, que parece estar se colocando numa situação de estagnação similares à da Rússia e Ucrânia. Irã continua com forte crescimento e mantendo o RCI constante.

O gráfico abaixo mostra o crescimento relativo ano-a-ano do volume de publicações (“documentos citáveis”) do Brasil, sem filtragem nenhuma. O crescimento médio é aproximadamente 12%, mas 2010 apresentou um crescimento baixo, de 3,9%. Este foi o mesmo valor de outro ponto baixo do gráfico, 2001. Ao menos houveram picos de crescimento em 2001 e 1997 que acabam compensando.

É isso aí, vamos esperar que consigamos reverter a queda… Vou fazer o meu trabalho e parar de escrever isso aqui e investir em algum “documento citável”!

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2 Respostas to “Publicações acadêmicas do Brasil e do mundo em 2010”

  1. Tomas Says:

    Olá, eu e meus amigos tentamos reproduzir e atualizar o gráfico com o deflacionamento das bolsas presente no texto “Pelo aumento imediato das bolsas de pós-graduação” de 2010. Fizemos o nosso gráfico utilizando o IPCA e o IGP-M, mas nossos resultados foram um pouco diferentes. Mesmo com as perdas do período nosso gráfico acabou mostrando que houve ganhos reais no período, mesmo que o momento atual esteja sinalizando uma queda para os patamares de 2004. Gostaríamos de saber, com qual índice de inflação você construiu o gráfico?
    Obrigado
    Um Abraço

    • nlw0 Says:

      Olá, Tomas. Eu uso o IPC da FIPE, basicamente porque é fácil usar o site deles. Ele é específico do município de São Paulo, mas já considerei outros índices também, e no longo prazo acaba tendo pouca diferença entre eles.

      Após o aumento de 2004 o valor da bolsa de doutorado passou para R$1.267. Hoje está em R$1.800, que é o resultado do aumento de 10% de 2006 mais o aumento de 30% de 2008, totalizando 43%. A inflação acumulada desde 2004 segundo o IPCA é um pouco maior do que isso, está em uns 47%. Pelo IGP-M é mais de 50%. O IPC da Fipe, que eu uso, acaba sendo a menor estimativa, está em 44%.

      Se estes são os valores que você está vendo no seu cálulo, então está tudo certo. O problema agora é decidir o que constitui um “aumento real”. Quando a gente olha pro salário mínimo é fácil ver que há um aumento real. Mas no caso das bolsas os aumentos são muito espaçados. Isto é em si um problema, por mais que esteja havendo algum aumento no longo prazo, o arrocho neste médio prazo entre os aumentos não deixa de ser ruim para os bolsistas.

      Se houver um aumento, digamos, até Dezembro, vai ficar claro que se está mantendo sim um aumento real nas bolsas, acima da inflação. Mas ainda seria bem melhor se fosse na frequencia e intensidade do salário mínimo, e não desta forma ruidosa.

      Caso o governo fique ainda mais um ou dois anos sem dar nenhum aumento, aí o valor da bolsa vai começar a corresponder aos valores de antes do aumento de 2004, e do início de 2006. Aí sim é que poderíamos dizer que não há mesmo um aumento real, e o pico de 2008 se tornará claramente uma anomalia. Hoje estamos numa “zona nebulosa”… Isto porque o aumento de 2008 foi bem grande, maior do que a inflação de mais de 6 anos para trás, mas isso já ocorreu há 3 anos.

      É certamente bom saber que o valor corrigido ainda corresponde a um valor maior do que o patamar de antes de 2004 e do início de 2006, que seria o correspondente a uns R$1.550. São R$250 a mais por mês, legal. Mas se houvesse correção pelo período desde 2008, os bolsistas estariam recebendo R$2.130. São R$330 “faltando” todo o mês devido a perdas inflacionárias. Ou seja, o dinheiro que falta pra deixar o salário equivalente ao pico de 2008 já é mais do que o ganho comparado a 2003. O otimista vai olhar pros R$250 a mais e falar que há “ganho real”, o pessimista vai olhar pros R$330 que estão faltando, e dizer que estamos sendo roubados. Aí é questão de ponto de vista, mas a matemática não muda…

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